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Dia 14/11/2009 - manhã
Fazemos parte de uma expressão de Igreja que Deus suscitou nos últimos tempos para que tivéssemos uma característica própria. Embora tenhamos muitas características comuns com outras tantas expressões, temos um papel a desempenhar dentro da Igreja. A RCC não é fruto de planejamento humano. Deus foi derramando sua graça, seu carisma sobre algumas pessoas e constituiu-se aquilo que hoje chamados RCC. A graça na RCC é exercitada através de uma prática que precisa marcar a nossa vida. A nós Deus chamou para evangelizar através da experiência e da condução do Espírito Santo.
É necessário que tenhamos uma clara consciência da nossa identidade carismática. Por que Deus me colocou na RCC e não em outros Movimentos ou Pastorais? É possível viver na RCC em diversos níveis espirituais. Alguns conseguem viver sob aspectos secundários. Se procurarmos a essência que Deus quer, vamos ter as coisas secundárias, mas principalmente o essencial. Caso contrário, não viveremos bem sequer as secundárias. Todos precisam evangelizar, mas cada um segundo o seu carisma, segundo o seu chamado. O que identifica a RCC é a maneira como nós fazemos a leitura daquele evento chamado Pentecostes. E sua essência é o que chamamos de Batismo no Espírito Santo. Orar em línguas, orações de cura, etc, são importantes, mas têm um aspecto secundário. Só haverá sentido se vivermos uma vida no Espírito. Queremos chegar ao fim deste encontro com uma sensação clara que fizemos uma experiência profunda do Amor de Deus pelo derramamento do Espírito Santo. Muitas pessoas pensam: Já tenho o Espírito Santo! Mas o Espírito vai perdendo o direito de influenciar em minha vida, o meu pecado, minha falta de oração pessoal, tudo isso vai levando a uma “impossibilidade” do Espírito Santo nos atingir. Como posso reavivar a chama em meu coração? Deus está interessado em cada um de nós. Esse fim de semana não pode ser um momento qualquer em nossa vida. Deus quer nos levar a uma experiência que não é só de “adrenalina carismática”, mas de sentido. Que nossa renúncia a tantas coisas que podíamos estar fazendo neste final de semana não seja uma renúncia vazia, mas que nos abramos a tantas coisas que o Senhor quer fazer por nós. Não entristeçais ao Espírito Santo, nos exorta São Paulo na Carta aos Efésios. Isso nos leva a concluir que o Espírito Santo também se alegra, e hoje o Espírito Santo está alegre com cada um de nós. A graça supõe a natureza. Temos certas barreiras, ignorância, etc. Sabendo o que Deus quer fazer, podemos preparar melhor nosso coração e nossa mente. Precisamos, pois, refletir sobre o significado desta experiência. A vida religiosa limitada a uma experiência meramente emocional se esvazia. O que significou o evento de Pentecostes? O que celebramos em Pentecostes? O que aconteceu em Pentecostes? Foi a expansão missionária da Igreja, posto que Jesus já a tinha fundado. Foi uma vinda do Espírito, pois Ele já havia sido derramado outras vezes. Por que precisávamos de Pentecostes? Jesus não já nos salvou? O Espírito Santo sempre esteve presente, no começo estava pairando sobre o caos, se manifestou pelos reis e profetas. No entanto, em Pentecostes aquele modo com que o Espírito estava presente irá se transformar, vai dar um novo rumo que irá mudar a nossa vida. No Antigo Testamento o Espírito se manifestava apenas na vida de algumas pessoas e há uma diferença entre manifestar-se e habitar. São Cirillo de Alexandria vai dizer que o Espírito repousava como que numa nuvem na vida destas pessoas escolhidas e não as habitava. Essa manifestação era em vista de uma missão e por um tempo específico. Não se identificava o Espírito Santo como uma pessoa, mas como uma força de Deus. Ora uma força física (Sansão), ora por uma força de sabedoria (rei Salomão), etc. Estava presente na vida das pessoas de forma natural. Ora, o Espírito Santo está presente na vida das pessoas não batizadas? Sim, de forma somente natural. Está imanente, sustentando a vida. Mas aos batizados, Ele se faz presente de forma sobrenatural. O hálito de Deus soprado sobre o ser - humano gera vida e estava presente desta forma na vida daqueles homens e mulheres do Antigo Testamento. Mas os profetas anunciavam uma promessa de que Deus derramaria seu Espírito, colocaria dentro de nosso coração o Seu Espírito, meteria em nós o Seu Espírito. Jesus promete o Espírito Santo para que fique conosco eternamente, e não por poucos dias, conforme João 14. Vejamos o que o Senhor nos diz em João, Capítulo 7, Versículos 37-39. Era uma festa importante para o povo de Israel, que lembrava o tempo em que viveram no deserto. O Sumo-Sacerdote caminhava com uma ânfora e a apresentava ao Senhor como que lembrando-lhe da água que dera ao povo no Deserto e pedindo que não falte água para suas plantações, etc. Jesus se referia ao Espírito Santo que haveria de ser dado. Quando? Em Pentecostes. Não havia sido dado, pois Jesus ainda não havia sido glorificado. Já nos Capítulos 14 a 16 do Evangelho de São João, Jesus faz como que uma catequese sobre o Espírito Santo. Jesus vem ensinar que quando Ele for glorificado, derramará sobre nós o Espírito Santo que é a garantia, o primor da nova condição, pessoas que seriam libertas da escravidão. Dá-nos a condição de filhos de Deus. O Filho se faz carne para expiar nosso pecado, pois a ofensa se mede pela importância de quem foi ofendido, o Pai. Só o Sangue Precioso de Jesus poderia apagar esta ofensa. Não se prevaleceu de sua condição divina, mas aniquilou-se até a morte de Cruz, e por isso, Jesus é o Senhor. Deu-nos novamente o direito de sermos chamados filhos de Deus. Assumiu toda a natureza humana, exceto o pecado, mas se o Espírito Santo não vier quem levará adiante esta nova condição. Ele, verdadeiramente homem, não poderia estar e mais de um lugar ao mesmo tempo, não poderia habitar em todos ao mesmo tempo, até mesmo pela Lei Física de que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Dentro de pouco tempo, Jesus estaria esquecido, não possuiria testemunhas. Quem pode nos convencer da Pessoa de Jesus? Quem pode convencer alguém de que Jesus está presente na Hóstia Consagrada? O Espírito nos atestará a Pessoa de Jesus, não falará de si mesmo; nos ensinará todas as coisas, nos convencerá do pecado. Ele estará conosco e em nós. O que era para alguns será para todos; o que era por determinado tempo, agora é eternamente; o que repousava sobre alguns, agora estará dentro daqueles que O aceitarem; alguns esperaram, mas quanto a nós a esperança não se engana, pois o Amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (cf. Rm. 5,5). Quem está em missão? É o Espírito Santo. O tempo do Filho “já passou”. Cumpriu a sua missão. “Pai, é chegada a hora, glorifica o Teu Filho”. (Jo. 17, 1). Começa então o processo de glorificação (condenação, morte e ressurreição), pois Jesus já havia dado uma catequese sobre o que se sucederia, sobre o Espírito Santo. Já no Capítulo 20 de João, Jesus Glorificado aparece aos discípulos, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo”. Agora o Espírito é dom, é o Pentecostes Apostólico ou doméstico que nos narra João. Já em Atos 2, Pedro esclarece que o que estava acontecendo era o cumprimento da promessa, promessa esta que era para todos, inclusive aqueles que de longe ouvissem o apelo do Senhor. Podemos ter mais e mais do Espírito Santo. Passamos a ter o direito de receber o Espírito não somente como uma força, como uma luz, um amor, mas como uma Pessoa com quem precisamos estabelecer uma relação de intimidade. Ele é a Pessoa Dom (que se dá), mas também a fonte da doação de Deus. Espírito Santo é o nome de Deus. Deus é espírito e é santo. Move-te em nós, Espírito Santo! As pessoas não chegam à fé sem os operários do Espírito Santo. Entendamos, pois, a importância de nossos ministérios. O Pai não vai falar mais pelos profetas institucionais. Ele, o Espírito Santo revelará ao mundo a salvação. A medida que o tempo foi passando na vida da Igreja, o Espírito foi como que sendo arrefecido. Nunca deixou de agir na Igreja, mas fomos arrefecendo por alguns fatos como, por exemplo, a comunidade de Montano, um ex-pagão que a princípio era conduzido pelo Espírito, era canal de grandes manifestações carismáticas, mas o que começou no Espírito agora derivou para a carne. Começaram a determinar regras muito rígidas de jejum, e outras coisas demasiadas como a “instituição” de profetizas. Passaram a seguir as Profetizas, porque os Bispos e Papa não profetizavam. Santo Irineu de Lião vai ao Papa Eleutério para dizer que eles também tinham coisas boas, mas o fato é que houve um cisma. Depois surgiram outras comunidades carismáticas, mas criou-se uma tensão entre hierarquia e carismas. Isso só começou a ser revisto no Pontificado de Pio XII, através da Encíclica Mystici Corporis, continuado de forma contundente no Concílio Vaticano II. Ao se dedicar quase que exclusivamente à Cristologia, a Igreja deixou de se dedicar à Pneumatologia (estudo, defesa, reflesxão sobre o Espírito Santo). A Pneumologia respirava pela Igreja Oriental através dos ícones. Ocorre que no ano de 1.054, há o cisma que divide a Igreja do Oriente da do Ocidente. A Igreja do Ocidente vai tratar de se institucionalizar. Santo Agostinho (séc. XIII) vai fazer sua maravilhosa teologia, mas não tratará em uma linha sequer da Pessoa, da missão e do culto ao Espírito Santo, grande causa deste esquecimento. Quem reclamou deste esquecimento? Jesus Cristo à freira Elena Guerra, que começa a escutá-lo por meio de locuções interiores. Prega-se muito sobre os santos da Igreja, mas não se fala da Igreja que forma os santos, dizia Jesus a Elena Guerra, dentre muitas outras reclamações neste sentido. Hoje, Elena Guerra é conhecida até por nossos irmãos protestantes. Está presente em nosso meio a Relíquia da Beata Elena Guerra, e os cristãos orientais nos ensinam que quando a relíquia de uma pessoa está presente, a própria pessoa o está. Move-te em nós, ó Espírito Santo! Confira o álbum de fotos desta manhã
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