Fernando de Bulhões nasceu em Lisboa, em 1195, numa terra ainda cheia de pagãos e muçulmanos. Desde menino sentia o chamado de Deus para uma vida retirada. Ingressou no mosteiro Agostiniano em 1210 com 15 anos, vencendo as tentações da sexualidade propagada pelos pagãos de sua cidade.
Em 1220 é ordenado sacerdote agostiniano em Coimbra, onde inicia seu ministério, sem deixar de realizar as tarefas mais humildes como varrer, lavar a cozinha, levar o pão, etc. Antes disso, em 1217 um grupo de frades franciscanos se hospedam em seu mosteiro para se prepararem a uma missão junto aos "incrédulos" marroquinos. Fernando de Bulhões passa a os admirar muito e quando estes são martirizados pelos seguidores de Maomé ainda no ano de 1220, o coração deste neo-sacerdote começa a bater diferente.
Impelido pelo amor a Cristo e pronto a dar a vida por Ele, dirige-se aos frades franciscanos que mendigavam em seu convento e comunica sua decisão de vestir o hábito Franciscano. Com muito esforço consegue obter autorização de seu superior e a coragem dos seguidores de Francisco a aceita-lo. Passando a se chamar Antônio, (em homenagem a um antigo eremita), permanece num eremitério para se adaptar melhor as regras de são Francisco.
Em outubro do mesmo ano, depois de emitir os votos de pobreza, obediência e castidade, segue para o Marrocos a fim de consumir sua vida numa missão apostólica. No entanto, nosso herói cai com Malária durante a viagem e para não atrapalhar a missão de seus companheiros não vai adiante, permanecendo numa casa franciscana no Marrocos até que doente, decide voltar para a Europa. Durante a viagem de volta melhora subitamente e compreende que seu chamado não era o Marrocos. A embarcação naufraga e Antônio milagrosamente escapa, estando em Sicília, longe da pretendida Lisboa.
Recuperado da doença e do Naufrágio e descansando num convento Franciscano, Antônio recebe a notícia de que Francisco estaria no "Capítulo das Esteiras" em Assis, numa espécie de retiro muito famoso da época. A história aqui nos deve uma explicação se os dois realmente se encontraram, embora, saiba-se, que Antônio participou do início ao fim do encontro mesmo tendo que andar 600 km a pé.
Após o encontro, Antônio fica num eremitério exercendo seu ministério junto a seis frades eremitas. Mesmo com uma grande cultura e conhecimento adquiridos quando era Agostiniano, (ordem de intelectuais se comparados aos humildes freis franciscanos da época), ele se mantinha humilde e a ninguém contava de seus estudos e diplomas.
Por obra de Deus, num convento Dominicano, Antônio recebe o pedido do Bispo e do provincial para fazer uma pregação sobre o sacerdócio. Nosso herói fala com toda a unção, com tanto poder, que "choca" a todos que estavam acostumados a vê-lo somente lavando a cozinha e preparando comida. Logo é nomeado pregador geral da ordem para a região. Começa então a percorrer aldeias e cidades, falando da misericórdia de Deus.
Como pregador, são inúmeras as história de milagres e prodígios, sobretudo no seu chamado de converter hereges. Conta-se que uma vez pregava aos hereges e foi ridicularizado por eles. Ressentido, ele se voltou para os peixes de um rio vizinho e lhes disse "Peixes, ouvi a Palavra do Senhor". Todos se espantaram ao ver uma multidão de peixes se amotinado para ouvir Santo Antônio com a cabeça para cima da água, se dispersaram depois de receberem a benção do santo.
Avisado da sabedoria e santidade de Antônio, São Francisco lhe enviou no início de 1224 um bilhete pedindo que ele lecionasse a Sagrada Teologia aos Frades. Missão que Antônio cumpre brilhantemente em Bolonha onde funda e dirige uma escola Franciscana por dois anos.
Contudo, a heresia avança no sul da França e Antônio decide abandonar Bolonha seguindo para lá, onde funda mais uma escola Franciscana e se dedica à pregação. "Certa noite um noviço fugiu do convento levando o Saltério onde Santo Antônio se ajoelhava para rezar. O estranho é que o diabo em pessoa apareceu ao frei, ordenando que devolvesse o Saltério ao Santo".
Em Tolouse, cidade dominada por hereges, funda mais uma escola franciscana. Aí aconteceu a famosa história em que os hereges negaram a Eucaristia. Antônio os desafia a colocar um jumento três dias sem comer e leva-lo diante de comida e de um ostensório com o SS. Para surpresa dos hereges, o jumento se ajoelha diante de Jesus sacramentado, levando os hereges á conversão.
São inúmeros os milagres de Santo Antônio nas cidades por onde pregava, em Solignac sua túnica tirou as tentações sexuais que atormentavam um monge, em Brive um tonel de vinho esquecido aberto, é esvaziado no chão e milagrosamente enchido e o chão secado. Ele ainda em nome de Deus impediu a chuva de molhar seus seguidores, multiplicou alimentos, fez um bispo se converter e se arrepender de seus pecados e blasfêmias e em Arles, talvez o mais impressionante milagre. Enquanto pregava, aparece Francisco já velho no ar, flutuando em forma de Cruz e abençoando os frades presentes.
Em 1227 de volta a Itália para o capítulo de Assis é nomeado superior geral do norte da Itália, o que o colocaria em contato com Pádua, cidade que está no seu nome. Esta cidade possuía uma universidade e nas duas vezes em que nela esteve Antônio, evangelizou professores e alunos. Tamanho serviço, o rendeu um convite para ir até o Papa em 1230.
Nesta cidade, se dedica à pregação diária, realiza muitos milagres, inclusive o famoso milagre do avarento. Quando o informam da morte de um homem muito rico, diz "onde está seu tesouro, aí está seu coração." Ao abrir o cofre do homem, todos puderam ver o coração do ambicioso defunto.
Tamanho esforço pastoral debilitou muito a saúde do nosso herói. Em 1231 se retira da cidade para Camposampiero a fim de meditar. Acaba subindo numa árvore para se aproximar do céu. Todos os dias, desce da árvore para participar da oração e para a refeição. Certo dia sentindo-se mal a mesa, pediu aos frades para que o levassem para o convento Santa Maria em Pádua, mesmo relutantes devido a sua saúde, os frades aceitaram e puseram-se a caminho.
No caminho, encontram um outro frade que ao ver o estado de Santo Antônio, faz com que fizessem uma parada no mosteiro das Clarissas em Arcella. Ali muito doente, Antônio só tem tempo para confessar-se e receber a unção dos enfermos.
Antes de morrer, Santo Antônio canta um hino a Maria e fica em estado de êxtase, de forma que um frade dissesse "Estou vendo o meu Senhor". Com as últimas forças, entoa os sete salmos penitenciais junto com os frades que o assistem. Depois calmamente morre em 1231. Os frades tentam esconder sua morte, mas em pouco tempo surge crianças de toda a parte gritando "Morreu o Santo, morreu Frei Antônio".
Em apenas um mês após sua morte, deu-se início o processo de canonização que em 10 meses chegara ao seu fim com a canonização de Santo Antônio. Na bula de canonização o Papa Gregório IX declarou "Ninguém deve ascender uma lâmpada sob o alqueire, mas sobre o lampadário para que todos vejam a luz. Deus o colocou sobre o candelabro". Em 1946 o Papa Pio XII o declarou doutor da Igreja. "Quem percorre seus sermões percebe em Antônio um perito na interpretação das Sagradas Escrituras".
"Antônio conheceu o fascínio do martírio, a desilusão do fracasso, a solidão, o anonimato, a fama repentina, a vida consumida pelos outros, ..., nos convida a reexaminar a nossa experiência religiosa" ( Carta dos Ministros Gerais das Famílias Franciscanas)
Com Antônio, devemos nos aproximar da palavra de Deus, não por curiosidade científica, mas para acolhe-la como sentido máximo da nossa vida.
Mesmo mais de 800 anos depois de sua morte, sua língua milagrosamente intacta pode ser venerada em Pádua, e nos convida a anunciarmos com o mesmo poder que ele anunciou a palavra de Deus. Em 1981 os Franciscanos resolveram exumar o corpo do Santo para descobrir de que doença afinal ele morreu. Qual não foi a surpresa ao saber que nosso pregador possuía um calo ósseo no joelho, o que faz com que possamos afirmar que Santo Antônio se consumiu de oração.
Em 1606, 375 anos após sua morte, foi fundado o convento de Santo Antônio no largo da Carioca no Rio de Janeiro. Em meados do Sec. XVII os franceses invadiram a Baía de Guanabara e tomaram a cidade. Toda a população do Rio de Janeiro correu para se proteger no convento do santo pregador. Consagrando a guerra ao Santo, os portugueses com bem menos soldados e muito menos recursos conseguiram expulsar os hereges franceses. Vomo "recompensa", Santo Antônio foi contratado como funcionário público.
Santo Antônio foi funcionário de Portugal e do Brasil, seu cargo era defensor do Rio de Janeiro, isso se estendeu até 1930 quando a revolução de 30 chega ao poder e Getúlio Vargas o aposenta sem direito a remuneração. Exageros a parte, essa ajuda serviu para sustentar o convento durante alguns séculos.
A maior curiosidade sobre Santo Antônio é sua relação com namoro e casamento. Muita gente não entende o porquê desse pregador celibatário ter um vínculo tão forte com o lado afetivo. Segue abaixo a história que teria atraído ao santo a fama de casamenteiro.
Certa vez uma donzela apaixonada não dispunha do dote para casar-se, conforme era costume na época. Confiante, recorreu a Santo Antônio. Das mãos da imagem do santo, caiu um pedaço de papel com um pedido assinado pelo santo a uma pessoa que emprestava dinheiro, (prestamista, banco), na cidade, pedindo que entregasse as moedas a moça. O prestamista obedeceu e pôs o papel num dos pratos da balança, colocando no outro as moedas. Os pratos só se equilibraram quando havia moeda suficiente para o pagamento do dote.
Daí que surgiu o santo casamenteiro, mas saibamos que Santo Antônio é muito mais do que casamenteiro. Por fim segue a oração para os namorados:
"Meu grande amigo Santo Antônio, tu que és o protetor dos namorados, olha para mim, para minha vida, para meus anseios. Defende-me dos perigos, afasta de mim os fracassos, as desilusões, os desencantos. Faze que eu seja realista, confiante digno(a) e alegre. Que eu encontre um(a) namorado(a) que me agrade, seja trabalhador(a) virtuoso(a) e responsável. Que eu saiba caminhar para o futuro e para a vida a dois com as disposições de quem recebeu de Deus uma vocação sagrada e um dever social. Que meu namoro seja feliz e meu amor sem medidas. Que todos(as) os(as) namorados(as) busquem a mútua compreensão, a comunhão de vida e o crescimento na fé. Assim seja.
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