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Arriscar mais

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eguindo o exemplo do mestre Jesus, certamente, Paulo poderia ter escrito em sua carta aos Coríntios, no capítulo 9, versículo 16: anunciar o evangelho nas ruas, nas praças, nos lugares públicos, não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho nesses lugares.

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Se prestarmos atenção nos atos de evangelização de Jesus, perceberemos que, na maioria das vezes, eles aconteceram nas ruas, no campo, nos montes e quase nunca na sinagoga ou em encontros específicos. Jesus ficava incomodado com aqueles que estavam à beira do caminho, distantes, doentes, aprisionados pelo mal e, por este e tantos outros motivos, não se acomodava num único local. Imagine: se Jesus ficasse sempre num mesmo local, certamente, as multidões iriam ao seu encontro, mas, porque então, ele não fez isso, já que seria muito mais fácil? A logística para a evangelização seria muito menor.

Os apóstolos não teriam que se preocupar com a noite que vinha chegando e nem com o povo que precisava ser despedido cedo para suas casas, pois certamente num local fixo as mulheres, talvez Maria, mãe de Jesus, Maria Madalena, a sogra de Pedro e tantas outras teriam a oportunidade de preparar quem sabe um ‘cafezinho’ e depois uma boa comida, para aí sim despedir o povo para suas casas, mas fica o questionamento diante de tantas facilidades: porque Jesus fez a opção pelo mais difícil? Talvez algumas pessoas digam que ele não poderia ficar parado num local, pois seria alvo fácil daqueles que o perseguiam. Não acredito nessa hipótese, pois aqueles que o perseguiam tiveram diversas oportunidades para aprisioná-lo e não o fizeram, pois havia um tempo determinado no céu para que tudo acontecesse.

Outros podem dizer que Jesus era pobre e não tinha onde se estabelecer. Também não acredito nessa hipótese, pois para quem fez surgir uma moeda da boca do peixe para pagar o imposto da época, penso que seria fácil fazer surgir muitas moedas para construir, por exemplo, um templo onde eles pudessem se estabelecer e aí evangelizar com mais tranqüilidade. Mas, penso que esse termo, ‘tranqüilidade’, no sentido aplicado no texto não existia para Jesus. Seria como que fazer a opção pela porta larga, mas ele sempre disse que a porta é estreita.

O grande questionamento que fica é: em nossos grupos de oração estamos fazendo a opção pelo mais fácil, mais cômodo, aquilo que dá menos trabalho? Estamos preferindo as coisas prontas àquelas onde temos que exercer o dom da fé? Estamos preferindo que as pessoas venham até nós e, por esse motivo, nos acomodamos e não saímos em missão pelas ruas, praças, casas, etc.? Estamos tímidos no exercício dos carismas para evitar falatórios a nosso respeito? Estamos até mesmo preferindo ficar com o som da Igreja, mesmo sendo este inadequado para um grupo de oração, do que nos lançarmos no desafio de adquirir um som, mesmo que simples, mas extremamente útil para a evangelização, para não termos que nos dedicar mais à oração, suplicando ao Senhor que providencie os valores necessários para o pagamento?

Penso que precisamos voltar a nos arriscar mais em Deus. Como vimos: Jesus nunca fez a opção pelo mais fácil e, certamente, este não é o caminho ideal para aqueles que querem produzir os frutos que Deus espera que produzamos. Não estou querendo semear a cultura de que aqueles que servem a Deus devem esperar somente problemas, dificuldades, tribulações e sofrimentos. Muito pelo contrário. Confio plenamente que Deus peleja por nós, porém, não podemos também acreditar que a vida daqueles que servem a Deus é sempre fácil e nos acomodarmos nas facilidades oferecidas no dia-a-dia, senão, cairemos na tentação de achar que estamos fazendo muito para Deus, para a evangelização, mesmo fazendo pouco. Termino deixando aqui minha simples opinião: precisamos voltar a nos arriscar mais em Deus.
 

Renato Ritton
Coordenador Estadual do Ministério de Pregação



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