• Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size

Família em missão

E-mail Imprimir PDF
FamíliaÉ importante olhar para Jesus e constatar que ele, ao mesmo tempo em que propunha princípios radicais de vida, era capaz de acolher e compreender os problemas e dificuldades das pessoas.
A “Semana da Família” é um momento de graça, de reflexão e de compromisso. A Igreja sempre teve e continua tendo grande apreço e zelo pela família por estar ela inserida no desígnio amoroso de Deus e ser a base segura de uma sociedade feliz e harmônica.

“A família, fundada e vivificada pelo amor é uma comunidade de pessoas: dos esposos, homem e mulher, dos pais e dos filhos, dos parentes. A sua primeira tarefa é a de viver fielmente a realidade da comunhão num constante empenho por fazer crescer uma autêntica comunidade de pessoas” (Familiaris Consortio nº 18). A Igreja compreende a família como sendo a união de um homem e uma mulher, aberta à vida e promotora da comunhão.

No mundo atual, a família sofre toda sorte de pressões e ataques. É missão das famílias cristãs evangelizar as famílias, fortalecendo os laços de amor já presentes no seu interior e colaborando para que elas caminhem sempre mais na direção da sua plena realização.    

Como defensora da família, a Igreja é tripudiada por grupos organizados e por setores da mídia. É acusada de ser intolerante e de incentivar atitudes hostis contra grupos que assumem formas alternativas de família ou que propugnam posturas diferentes das que ela apregoa. O desejo de muitos é ver a Igreja calada, fechada nos seus espaços, sem influir na sociedade. Não percebem a sua incoerência. Ao mesmo tempo em que defendem a liberdade de expressão querem proibir a Igreja de se manifestar.

A Igreja propõe e não impõe. Ela tem a consciência de ser portadora de uma mensagem que é vital para a realização da humanidade. Sabe que excluir a Deus na tomada de decisões é colocar o ser humano em risco e contribuir para a sua derrocada. “Sem o Senhor busca-se inutilmente construir uma casa estável, edificar uma cidade segura, fazer frutificar a própria fadiga. Pelo contrario, com o Senhor se tem prosperidade e fecundidade, uma família rica de filhos e serena, uma cidade bem segura e defendida, livre de pesadelos e inseguranças” (Bento XVI, audiência geral de 31 de agosto de 2006, comentando o Salmo 126).

É importante olhar para Jesus e constatar que ele, ao mesmo tempo em que propunha princípios radicais de vida, era capaz de acolher e compreender os problemas e dificuldades das pessoas. Não cedia nos valores e não regateava a misericórdia. No sermão das bem-aventuranças, ele convida a passar de uma observância formal e externa da lei a uma fidelidade profunda do coração: “Ouvistes o que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. Ora, eu vos digo: todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela em seu coração” (Mateus 5, 27). Esta posição tão exigente de Jesus não impediu que ele manifestasse toda a sua ternura e misericórdia para com a mulher pega em flagrante de adultério: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?” Ela respondeu: “Ninguém, Senhor!” Jesus, então, lhe disse: “Eu também não te condeno. Vai, e de agora em diante não peques mais” (João 8, 10-11).

A família cristã tem a missão de ser família samaritana. E, como tal, é encarregada de se aproximar das famílias e pessoas envolvidas em tantas situações que as prejudicam e lhes trazem sofrimentos. Sua postura não pode ser de superioridade e presunção, mas de solidariedade e compaixão. O que não se pode, entretanto, é omitir-se na apresentação e no testemunho dos valores evangélicos. Deixar de propor e defender o projeto de Deus a respeito da vida e da família é conformar-se a ser o sal que perdeu a força e a luz colocada debaixo de uma vasilha.

É grande e desafiadora a missão da família cristã: defender a vida desde a concepção até o seu declínio natural; empenhar-se para conseguir condições dignas para todos, testemunhar o matrimônio como união indissolúvel, aberta à vida, entre um homem e uma mulher, acolher e integrar o que se encontram em situações diferentes das propostas pela Igreja, defender e promover a dignidade inalienável da pessoa humana... Sim, é grande a missão, mas não é na luta que se fortalece e cresce o batalhador? “Todo atleta se impõe todo tipo de disciplina. Eles assim procedem, para conseguirem uma coroa corruptível. Quanto a nós, buscamos uma coroa incorruptível” (1 Coríntios 9, 25).

 
Dom Luiz Antônio Guedes
Bispo de Bauru


Adicione essa página em sua rede social
 
Comentários
Adicionar
Escrever comentário
Nome:
Email:
 
Título:

3.25 Copyright (C) 2007 Alain Georgette / Copyright (C) 2006 Frantisek Hliva. All rights reserved."

Você está aqui Artigos Atualidades Família em missão